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  • Os desafios para ser advogada transformaram minha vida

    Os desafios para ser advogada transformaram minha vida

    Ynessa Graciano, estará no centro da nossa próxima roda de conversas para compartilhar sobre os desafios para ser advogada numa cidade do interior.

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    Desejar ser advogada aos 25 anos, pode parecer simplista demais, porém carreguei comigo esse sonho por muitos anos e desde muito nova já entendia a importância das mudanças, tanto internas, como na vida.

    Acredito que se permitir e buscar nas pequenas conquistas tornar nossa vida melhor e o resultado é sempre positivo, independente do ângulo que escolhe olhar, a transformação acontece a todo momento à nossa volta.

    Há sete anos, em 2014, tomei uma decisão que me trouxe para o lugar que hoje estou. Cursar a faculdade de Direito e canalizar meu desejo de contribuir para uma sociedade melhor me impulsionou. Ser advogada ampliou minhas possibilidades, abriu portas e inúmeras oportunidades.

    O ano que decidi cursar psicologia /evolua.vc

    Mas se engana quem acredita que o caminho até aqui percorrido foi fácil e tranquilo. Foram cinco anos de graduação que me fizeram repensar atitudes, organizar minha vida de maneira que jamais havia imaginado.

    Entre os inúmeros desafios, o que mais marcou profundamente essa fase em minha vida, sem dúvidas nenhuma, foi a partida precoce do meu pai.

    Os desafios para ser advogada /evolua.vc
    Pai /acervo pessoal

    Me lembro como se fosse hoje, estava no quarto ano do curso de direito. Meu pai era meu MAIOR entusiasta, aquele que na arquibancada da vida vibrava com cada pequena conquista, era o que mais torcia por mim, chegando a desejar a conquista desse diploma muito mais que eu mesma.

    A partir desse momento ser advogada se tornou meu principal objetivo, exercer a carreira jurídica é para mim garantir que o sonho do meu pai possa me transformar e transformar as pessoas que através do meu trabalho, possa vir ajudar.

    Infelizmente ele não pode estar presente fisicamente para brindar comigo a conquista deste sonho, mas, se por um lado sua partida deixou um vazio e uma saudade irreparável, por outro me deu a coragem necessária para superar os desafios dessa caminhada.

    Maturidade /evolua.vc

    Entre estágios em órgãos públicos, participação por dois anos no Centro Acadêmico, viagens necessárias, contato diariamente com professores e autoridades do meio jurídico corroboram na construção da profissão que hoje exerço.

    O desafio de ser advogada /evolua.vc
    Brasília /acervo pessoal

    Ser mulher, do interior e sonhar em ser advogada não foi uma tarefa simples, assim como grande parte da população brasileira, enfrentei várias dificuldades financeiras para arcar com as mensalidades do curso e poder concluir minha graduação em direito.

    Além de cumprir os estágios obrigatórios para conclusão do curso, trabalhava com revenda de produtos dos mais variados tipos. Todas as noites, ia à pé para a faculdade.

    Num braço, cadernos e livros, no outro uma sacola enorme

    Nela trazia lingeries, bijuterias, semijóias e o que mais pudesse oferecer para minhas colegas de sala. Foi a forma que encontrei de tornar meu curso viável e por mais difícil que possa parecer, não me deixava abater.

    Falava com todas as meninas possíveis, seja durante os intervalos ou entre as aulas, tudo para no final do mês, garantir o dinheiro necessário para arcar com a mensalidade da minha faculdade de direito.

    No coração um sonho

    E após muito estudo, noites em claro, anos de dedicação obtive a tão sonhada aprovação na Ordem dos Advogados do Brasil e finalmente, estava apta a ser advogada.

    Objetivo atingido.

    Os desafios para ser advogada /evolua.vc
    Dia da colação de grau /acervo pessoal

    Olhando hoje para toda essa trajetória, a cada desafio superado vejo quanto significado ficou impresso em cada fase, acreditar em nossos sonhos e seguir sem ceder a dificuldades momentâneas é uma escolha.

    Demore o tempo que for para decidir o que você quer da vida e depois que decidir não recue ante nenhum pretexto, porque o mundo tentará te dissuadir

    Friedrich Nietzsche

    Atualmente meus desafios são outros, um deles é viabilizar de forma simples, direta e descomplicada que conteúdo jurídico de orientação cheguem às pessoas, a fim de que TODOS saibam que leis são as armas de um povo e é essencial conhecê-las.

    E essa será minha contribuição aqui, vamos juntos nessa jornada?

    Conheça nossa linha editorial e quem são os autores /evolua.vc

  • Lidar com opinião, desafio e ansiedade durante a quarentena

    Lidar com opinião, desafio e ansiedade durante a quarentena

    Tudo ao mesmo tempo, lidar com opinião, desafio e ansiedade durante a quarentena costuma não ser muito saudável, porém, é algo presente e inserido nesse momento que vivemos.

    Mas temos que concordar, tanto eu quanto você não deveríamos nos importar tanto, só se vive uma vez e carregar a angústia de não ter tentado é algo que não devemos levar na bagagem.

    Há tempo que escrevo e apago, começo e não termino.

    Efeitos da primeira quarentena vivida, que veio para me ensinar a lidar com opinião, desafio e ansiedade durante a quarentena. Já li e ouvi sobre desânimo, angústia e mais meia dúzia de adjetivos.

    Precisamos falar sobre terapia /evolua.vc

    Pode até ser o medo de não agradar, o medo de não ser aceita, o medo da insegurança, de fazer o máximo e mesmo assim não atingir a expectativa alheia.

    E veja bem, não sou apenas eu.

    Desde o início de tudo isso lidar com opinião, desafio e ansiedade durante a quarentena que tomou de assalto o planeta inteiro, logo no primeiro mês do ano ouço quase que diariamente pessoas relatando suas sensações.

    Medo

    Desânimo

    Insegurança

    Receio que o pior está por vir. As vezes tenho a impressão que estão nos cercando de inseguranças.

    A vida em tempos de pandemia /evolua.vc

    Os jornais relatam, os amigos compartilham e a ansiedade aumenta. Se tudo isso não fosse suficiente, estamos imersos num nevoeiro de incertezas, a vontade de superar essa fase parece que grita meio que discretamente, redundante, mas:

    APOSTO que já sentiu essa sensação?

    Num momento como esse, querer fazer o melhor é o que mais desejamos, porém, nos deparar com opinião, desafios e ansiedade, fazem com que percamos boa parte da energia necessária para sua real execução e sinceramente?

    Não existe nada de errado nisso.

    Temos quase que por instinto achar que precisamos da aprovação alheia, essa vontade de sempre acertar e agradar aqueles que estão à nossa volta, usando esse resultado como termômetro para medir o nível de sucesso obtido em determinada fase da vida, cansa!

    E não, não estou dizendo que pouco importa a opinião alheia.

    Porém agir apenas sobre o consentimento do outro nunca foi fórmula de sucesso. As maiores inovações da história nasceram do descontentamento, da ousadia de se fazer diferente.

    Quero dizer que, colocar nossos valores na mão do outro pode gerar respostas que não esperamos. Mas precisa ser encarado como fator natural da ousadia que é viver.

    Pessoas são múltiplas e diversas.

    O ano que decidi cursar psicologia /evolua.vc

    O que pra mim pode ser legal, para o outro pode ser um tédio na mesma medida. Pensar diferente aguça a curiosidade de tentar interpretar o mundo pela ótica alheia.

    Meus valores são responsabilidade minha.

    Deixar que a opinião, os desafios e a ansiedade alheio mude nossa essência pode gerar frustrações futuras irreparáveis. Até porque, o que falam ou pensam sobre você é algo que foge ao controle.

    Gastar o mínimo de energia com esses fatores já melhora e muito nossa produtividade. Então, minha sugestão é exatamente aquilo que tenho aplicado na vida.

    Aproveitar a reclusão para um autoconhecimento.

    Uma análise detalhada sobre quem realmente sou e onde desejo chegar tem me auxiliado a buscar minha melhor versão, fazendo mais por mim e menos pelo que irão pensar ou falar sobre isso.

    Reflita sobre isso e me conte sua opinião?

    Assim, termino minha primeira contribuição aqui, talvez tenha te agradado ou não, mas com TODA certeza, me agradei!

    Gratidão resume.

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  • A voz marcante de Gabriela Augusto pela diversidade e inclusão

    A voz marcante de Gabriela Augusto pela diversidade e inclusão

    Gabriela Augusto foi a 12° convidada para nossa roda de conversas, que abriu o mês de setembro falando sobre Diversidade e Inclusão.

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    Assista pelo instagram.

    Aos 25 anos, mulher trans, formada em direito e dona de uma voz marcante, Gabriela vem ganhando cada vez mais destaque e atenção de empresas e veículos de comunicação.

    Diretora da Transcendemos, empresa de consultoria que fundou com o objetivo de auxiliar negócios a se tornarem inclusivos. Tem como principal bandeira o valor que a diversidade e inclusão podem promover dentro do ambiente de trabalho.

    Transcender é ultrapassar barreiras

    Dentro do novo normal que vivemos, num momento ímpar na história da humanidade, falar sobre diversidade, inclusão, assédio e LGBTfobia, são pautas de fundamental importância para que possamos evoluir como sociedade, ultrapassando as barreiras impostas por anos de preconceitos e racismo.

    Essa preocupação não é de hoje, é uma luta de anos, no ano passado a principal novela brasileira, “A dona do pedaço”, trazia uma atriz trans Glamour Garcia, interpretando a personagem Britney, que acabou ganhando a atenção e o carinho do público.

    Glamour Garcia
    Glamour Garcia /instagram

    Entre as falas marcantes de Britney, selecionamos uma que evidencia o tamanho do preconceito que esse grupo enfrenta diariamente nas mais variadas situações:

    Não sou falsificada

    Sou mulher de verdade. Mulher suficiente para fazer qualquer homem cair aos meus pés.

    Pode parecer simples e até acabar passando despercebido por muitos, porém, quando ao se referir a uma mulher trans, é usado o adjetivo “mulher falsificada”, automaticamente se ofende e desnuda o quanto limitada uma sociedade se encontra quando o assunto é respeito a diversidade.

    Por outro lado contar com uma atriz trans na principal novela da maior emissora de televisão do país é abrir portas para o diálogo, para a conscientização e entendimento de que a diversidade e inclusão são infinitamente mais ricos que o preconceito.

    Precisamos falar sobre terapia /evolua.vc

    Ainda em 2019 uma iniciativa entre a P&G (Procter & Gamble) e o Facebook, juntou os principais nomes criativos da indústria de entretenimento do mundo para o Free the work, um projeto que busca construir um futuro inclusivo para a televisão, cinema e publicidade.

    O projeto já iniciou apresentando dados que revelam o quanto a desigualdade está inserida nos mais altos cargos criativos. Das mais de 100 produtoras analisadas nos EUA e Reino Unido, foram mapeados 2.279 cargos de direção nas duas nações, apenas 90 deles são ocupados por negros.

    O PODER DA DIVERSIDADE

    Diversidade significa qualidade do que é diverso, diferente, variado, referindo-se diretamente a diferença, multiplicidade. Se tornando quase impossível associar tais definições a algo negativo.

    Prova disso foi a Natura, que no último Dia dos Pais, liderou o topo das discussões sociais sobre diversidade e inclusão, após escolher Thammy Miranda, ator trans, para estampar uma das frentes de sua campanha para a data.

    A repercussão começou após essa publicação, no dia 23 de julho, com a hashtag #MeuPaiPresente, criada pela Natura.

    A discussão iniciou com ataques negativos por grupos radicais, porém horas depois uma enxurrada de positividade invadiu a internet, além das celebridades o público em massa abraçou a causa.

    Debates como esse são importantes para uma maior visibilidade sobre o tema, tornando o assunto pauta do novo normal e que abre portas para uma sociedade mais fraterna e igualitária.

    Jean Cocteau /evolua.vc 1

    Por entender a importância desse debate nossa primeira roda de conversas do mês de setembro, recebe Gabriela Augusto, que vem trazer luz a importância de falarmos constantemente sobre Diversidade e Inclusão.

    Assista pelo instagram ao bate-papo com Gabriela Augusto, sobre Diversidade e Inclusão.

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  • Maturidade – A arte de se permitir voar com a vida

    Maturidade – A arte de se permitir voar com a vida

    Demorei a entender que maturidade é uma espécie de prontidão do espírito. É estar aberto ao movimento da vida, mesmo que este movimento não corresponda, de imediato, às expectativas pessoais. E reconhecer, com leveza e gratidão, o quanto a aventura de viver é surpreendente e ilimitada.

    Eliane Miraglia, é a 13° convidada para nossa roda de conversas, sobre o tema Maturidade em qualquer idade.

    Maturidade em qualquer idade /evolua.vc
    Fernanda Montenegro e Emicida /evolua.vc
    Fernanda Montenegro e Emicida /twitter

     Assista pelo instagram.

    Em novembro de 2019, ouvi pelo rádio, uma entrevista do rapper Emicida sobre a parceria entre ele e a atriz Fernanda Montenegro, para compor uma das faixas do álbum AmarElo. Montenegro, já conhecia o texto que interpretaria: o poema Ismália, publicado por Alphonsus de Guimaraens em 1910.

    Encantado, Emicida, conta que ao se encontrarem no estúdio, a primeira coisa que Montenegro, fez foi se informar sobre o contexto em que o poema seria utilizado.

    Depois de ouvir com atenção às propostas do rapper e da equipe, ela decidiu regravar o texto, para dar outra atmosfera à interpretação.

    Aparentemente banal

    Esta experiência é um exemplo de maturidade tanto do cantor quanto de atriz. Apesar da carreira incomparável. Fernanda Montenegro, 90 anos, escolheu se abrir a uma nova forma de interpretar, para ampliar seu repertório.

    No território do rap.

    Mesmo mais jovem, Emicida, 35 anos, reconheceu a oportunidade de aprender com aquele posicionamento de alguém que, dispõe só de carreira profissional, o dobro do que ele tem em idade.

    Caso esse exemplo seja muito distante da sua realidade e aquela falsa sensação de que, “OPA! Eles são artistas e eu não”. Sugiro a leitura da conversa iniciada aqui, pelo Daniel Minoh. É uma conversa transformadora.

    Cursar Jogos Digitais | EVOLUA.VC

    Um detalhe que sempre me chama atenção em histórias como as relatadas acima é a contrariedade ou um aparente impasse.

    Amadurecer, de certa forma é uma relação com o tempo, no sentido de escolher adiar a satisfação imediata do desejo e experimentar o convite inesperado da vida.

    Somente quando todo o arco desta aventura se completa, é que se descobre que a vida, por um caminho impensável, realizou aquele mesmo desejo antigo de um modo muito mais amplo.

    A maturidade precisa ser cultivada em todas as etapas da vida, muito mais por quem já a manifesta com maior desenvoltura e frequência.

    Amadurecer não é uma experiência cronológica.

    Existem incontáveis idosos jovens, que nunca amadureceram e por opção, nunca amadurecem!

    São imaturos e resistentes às propostas da vida.

    Há muita humildade em superar a contrariedade do ego, em adiar o desejo, sem garantias de resultado.

    Há muita coragem libertadora e força inspiradora no mergulho em queda livre, com a mínima possibilidade de voo, como tão lindamente conta o poema de Alphonsus de Guimaraens.

    Há muitas histórias admiráveis sobre maturidade.

    Quem sabe, você prefira uma minissérie? Se esse for seu caso, então, sugiro que assista: A vida e a história da Madam C. J. Walker.

    Meu interesse pelo tema Maturidade não é aleatório.

    É o desdobramento de uma carreira profissional longeva na área de previdência complementar. Hoje, acredito sinceramente que o novo normal só será transformador para quem, independentemente da idade, se dispuser a dançar a nova canção planetária, entoando suas grandes causas.

    Penso que, assim, a maturidade deixará de ser uma experiência individual para se tornar um projeto coletivo de evolução humana. Nossa espécie precisa de soluções efetivas e mais arrojadas que somem para todas as espécies.

    A maturidade talvez seja o convite para o estado da arte de ser Humano.

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  • A morte e o amor impossível de Alphonsus de Guimaraens

    A morte e o amor impossível de Alphonsus de Guimaraens

    Um poeta místico, que carregava forte envolvimento com a religiosidade católica da época. A expressão da sua arte foi marcante. Sonetos que toca a alma, carregados de uma profunda sensibilidade. Para falar de um tema já presente no Brasil dos anos de 1880.

    A ausência de força contrária as surpresas da vida, o marcaram, sendo claramente revelada em suas obras. Uma aceitação, uma resignação diante dos sofrimentos e dores que viver nos imprime ao longo da vida.

    Alphonsus de Guimaraens /evolua.vc
    Alphonsus de Guimaraens /acervo Museu Casa Alphonsus de Guimaraens

    Em tempos de quarentena, o novo normal, brigar contra o que se apresenta como inevitável, é o que nos possui. Tristeza, separações e desentendimento. Tudo porque não aceitamos com facilidade as manobras que viver nos emprega.

    Já Alphonsus de Guimaraens meditava, enquanto em pleno 2020 denúncias de agressões contra mulher aumenta. Há mais de 100 anos atrás, o poeta utiliza da figura feminina para falar sobre anjos, sinônimo de perfeição, chegando a comparar a mulher, a um ser celestial.

    Intitulado neorromântico por alguns, simbolista por outros, Guimaraens consagrou sua poesia como um dos principais autores simbolistas brasileiro que marcaram o início do século XX. Suas poesias são quase em totalidade voltadas para a dor perda, da angústia e da morte.

    A mudança surpresa e inesperada, a partida precoce da amada tão desejada. Alphonsus de Guimaraens era um homem cingido de propriedade sobre as dores que relatava. Suas poesias são banhadas em lágrimas de uma dor que se dedicou em compartilhar.

    O ano era 1887 e Guimaraens, ingressou na Faculdade de Engenharia, dois anos depois, recebe o primeiro forte golpe de sua vida. Constança, uma jovem cuja formosura lhe era radiante, sua noiva, com quem tanto sonhava em casar, morre precocemente. A morte jamais imaginava, daquela que por horas se perdia em pensamentos o abala quase que fisicamente, fazendo o novato poeta mergulhar no que hoje denominamos profunda depressão.

    Constança Guimaraens /evolua.vc
    Constança Guimaraens /acervo Museu Casa Alphonsus de Guimaraens

    Em meio a um turbilhão de sentimentos negativos, triste e desapego a vida, em 1900 Guimaraens, passa a trabalhar como jornalista, se tornando colaborador da Gazeta, na metrópole paulista do início do século XX. Envolvido profundamente com a reflexão e a escrita, pública anos depois, Kyriale, obra que reúne em poesia, um resumo de seus pensamentos. Trabalho que o consagra no meio literário, conquistando reconhecimento no meio em que atuava.

    Entre inúmeras obras, compartilhamos a Saudade:

    Uma mulher que por amar soluça,
    Na torre da minha alma se debruça.
    
    E despenha-se o luar na encosta do monte,
    Tranquilamente, como um fonte.
    
    Dois ou três demônios familiares
    Passam cantando, para voar logo após pelos ares.
    
    E despenha-se o luar pela encosta do monte.
    O monte fica defronte
    
    Da torre da minha alma onde soluça
    Essa mulher: e quando o sol entre as nuvens se embuça,
    Nas horas mortas dos crepúsculos tão vagos,
    De azul, vestida como o céu, como o céu misteriosa,
    Ela abre os olhos imortais, como dois lagos…
    
    Virgem Piedosa!
    E os sonhos passam, cisnes que não cantam mais,
    No infinito dos seus olhos imortais,
    Abertos para a eternidade…
    
    Pobre mulher, pobre Saudade!

    Nas versos acima, é possível notar a profundidade e tamanho sentimento que Guimaraens, carregava em seu peito. Constança, como relata, era figura presente em seus pensamentos. Por muito tempo sofreu com a dor cruel e inesperada. Mas também entendeu que maior que lamentar sua perca irreparável, também era necessário comunicar a todos a beleza em se valorizar, em tornar evidente, os valores que carregamos.

    Tamanha excelência de personalidade se reunia em um homem cuja simpatia e educação eram exemplar. Os valores do homem que se tornara ficaram gravados em sua família. Casou-se com Zenaide de Oliveira, com quem teve quatorze filhos, sendo entre eles 8 mulheres e 6 homens.

    O filho que mais conviveu com o pai, foi João Alphonsus, respirava sua personalidade, começando a escrever desde muito cedo. Se tornando décadas depois um dos responsáveis pelo movimento modernista em Minas Gerais.

    Mas se engana aqueles que acreditam que apenas a convivência física pode nos marcar. Engane-se lamentavelmente. Nossos valores são tão ricos e preciosos que podem nos marcar por gerações a fio.

    Exemplo foi Alphonsus de Guimaraens Filho, justamente o filho que não conheceu o pai.

    Alphonsus de Guimaraens Filho /evolua.vc
    Alphonsus de Guimaraens Filho /acervo Museu Casa Alphonsus de Guimaraens

    Mas recebeu toda sua herança de valores e pensamentos, sendo observador como o pai, em um dos seus mais conhecidos trabalhos, criado quando tinha 7 anos de idade, está “essa coisa”, que desnuda a dor sofrida pela ausência do pai:

    Pelas vastas campinas
    Cantando os passarinhos
    Catando os capinzinhos
    Para fazer os seus ninhos.
    
    Estava pronto o seu ninho
    O macho saiu a passear
    Por que não volta cedo para o ninho
    E fica só voando pelo ar?

    Tamanho talento consagrou Alphonsus de Guimaraens Filho, décadas depois como o herdeiro principal do grande talento do simbolista de Mariana, Alphonsus de Guimaraens.

    Deixando evidentemente claro, que

    No final, de nada vale o que possui e sim o que você se torna!

    Conheça nossa linha editorial e quem são os autores /evolua.vc

    Fontes:

    Jornal ESTADO de MINAS

    Wikipédia, a enciclopédia livre

    Projeto Livro Livre Iba Mendes

    Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais

    Blog Alma na Cultura do escritor Raymundo Netto

  • O ano que decidi cursar psicologia

    O ano que decidi cursar psicologia

    Quando decidi cursar psicologia, sendo essa minha primeira graduação, muitas coisas passavam pela cabeça, menos essa que vivemos hoje. Em fevereiro deste ano, (2020) experimentei pela primeira vez o que é cursar uma faculdade.

    Sei que pode parecer comum, afinal, na minha idade é natural estudar. Porém, está sendo um momento transformador em minha vida. Confesso que não está sendo uma tarefa simples.

    Quando fui para o primeiro dia de aula, pude entender claramente que ali se iniciava uma nova fase na minha vida. Uma enorme festa formada por alunos veteranos estava acontecendo ali. Eram as boas-vindas para aqueles que ali chegavam.

    Novamente, eu sei que pode parecer comum.

    Mas não para uma garota que até o ensino fundamental era a estranha da sala, a que não se enturmava, a sem popularidade, a sem muitos amigos.

    Naquele momento, por dois segundos tudo congelou e meu coração pareceu parar. De dentro do peito ouvi soar, “é a primeira vez que vivo o prazer da descoberta”. Ainda não consigo falar muito sobre, mas uma frase revela com propriedade o tamanho desse sentimento:

    Tudo o que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível.

    Fernando Pessoa

    Bebidas, danças, cantoria, conversas, uma verdadeira celebração acontecia ali. Sem entender muito bem, vivenciei esse momento ao lado de cinco pessoas que acabava de conhecer e depois desse dia em diante, se revelaram amizades para a vida. Coisas que só pude viver depois que decidi cursar psicologia.

    Cursar Psicologia - Luma Silveira /evolua.vc
    Gustavo Santos, Amábile de Angelo e Luma Silveira /foto arquivo pessoal /evolua.vc

    Começaram as aulas, parte das minhas inseguranças se dissolvem à medida que sinto a energia dos alunos a minha volta. Pessoas de diferentes idades, pensamentos, ideias. A energia daquele lugar é realmente a de um espaço de aprendizado, onde nos conectamos, estudamos e aprendemos mais sobre os desafios da vida.

    Bem diferente de tudo que havia experimentado.

    Nas apresentações, pude sentir a energia dos calouros interligadas com emoções e sonhos. Antes apenas em pensamentos, agora compartilhados.

    Tem ideia disso?

    Você que me lê, recorda quando foi seu primeiro dia de aula? Seja na faculdade, no curso novo que resolveu fazer ou talvez seu melhor ano na escola. Se sentir alegria, compartilha comigo no final dessa conversa, pois cursar psicologia sempre foi meu sonho e você qual curso sonha em fazer?

    Uma conversa transformadora /evolua.vc

    Nos dias que se seguiram, o próprio caminho até a faculdade me servia de reflexão. Dentro do carro, o fato de estar naquele momento com 18 anos, ingressando minha primeira graduação, ainda sinto o esforço necessário para essa adaptação.

    Reorganizar a vida para poder aprender, conhecer, estudar e talvez construir o futuro que almejo.

    O primeiro passo em direção ao sucesso é dado quando você se recusa a ser prisioneiro do ambiente no qual você inicialmente se encontra.

    Mark Caine

    Resolvi chamar esse momento de “adaptação da vida”. O contato com ideias e pessoas completamente diferentes da minha realidade, fez nascer valores que antes desconhecia.

    Em meio a esse turbilhão de sentimentos, descobri que a incerteza e o medo estarão sempre presentes. Quando poderia imaginar que um mês do início das aulas, o mundo iria parar?

    E parou!

    A vida em tempos de pandemia /evolua.vc

    Nova adaptação, novos horários. Uma mudança forçada, aulas ao vivo, trabalhos, conciliar tarefas fazem parte da minha rotina agora. Embora ainda sinta dificuldade, estou me adaptando.

    A chegada da pandemia foi um baque na minha vida e talvez possa estar sendo na sua também e para grande parte das pessoas ao redor do mundo.

    Por outro lado também vejo pessoas fazendo história, carregando nos braços a vontade de transformar esse momento. Criando oportunidades nunca antes vividas. A sensação que tenho é que estamos nos unindo, como uma sociedade forte. EVOLUIR também é ajudar, como o próprio nascimento desse projeto.

    É sobre essas e outras sensações que ainda não vivi que conversarei por aqui, espero que goste. Vamos juntos?

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  • Quem foi Jean Cocteau, a frente do seu tempo.

    Quem foi Jean Cocteau, a frente do seu tempo.

    Seu nome de nascimento é Jean Maurice Clément Cocteau, como consta na enciclopédia livre. Com esse conjunto de habilidades Cocteau, fez história no seu tempo.

    Junto de outros surrealistas que fizeram parte da sua geração, Cocteau, conseguiu unir com excelência os antigos e os novos códigos verbais, linguagem de encenação e tecnologias do modernismo criando um verdadeiro paradoxo, conhecido também como avant-garde clássico, que começava a surgir na França de 1900.

    Era seletivo e mantinha um círculo de amizades que inclui personalidades como Jean Marais, Henri Bernstein, Édith Piaf e Raymond Radiguet. Falaremos sobre cada um deles em breve.

    Nos arredores de Paris do ano de 1889, em uma vila pequena nasceu, sendo considerado um dos mais talentosos artistas do século 20. Foi membro ativo de diversos movimentos artísticos conhecidos da época.

    Fez parte do Groupe des Six, conhecido Grupo dos Seis formado por Georges Auric, Louis Durey, Francis Poulenc, Germaine Tailleferre. Sendo eleito membro da Academia Francesa no ano de 1955.

    Homossexual assumido

    Autor de Le Livre Blanc, “o livro branco” em tradução livre, publicado de forma anônima no ano de 1928, por conta da tamanha transformação que o conto sugere para a época. Mesmo assim Cocteau, nunca negou sua criação, assumindo que trechos das narrativas contadas no livro fizeram parte da sua vida amorosa na juventude.

    Quem foi Jean Cocteau /evolua.vc
    Jean Cocteau /foto Cecil Beaton /evolua.vc

    No registro acima, Jean Cocteau é clicado com os punhos do paletó dobrados para trás, acompanhado do lenço de seda estampada sobre os ombros, um visual que revela seu estilo sutil, confiante e a frente do seu tempo.

    O estilo é uma maneira simples de dizer coisas complicadas

    Nessa frase, Cocteau, sugere que o estilo possa expressar visualmente a verdade de quem realmente somos, sem filtros, associado diretamente com a liberdade, livre de restrições.

    Apenas quando não oprimido (governo, organizações ou pessoal) se é realmente livre para expressar seja por aparência, palavras ou ações.

    Jean Cocteau, sugere que se tiver confiança nas decisões que toma, é possível superar limites auto impostos, como preocupações com o julgamento de outra pessoa e o sentimento de culpa pela entrega.

    Por outro lado, uma pessoa que se “acha” demasiadamente ou completamente focada em si mesma, acaba que não podendo expressar com sucesso, seu real estilo.

    Isso porque o estilo verdadeiro deve levar prazer às outras pessoas e primeiramente a você mesmo.

    Ele amou declaradamente, Jean Le Roy, Raymond Radiguet e Jean Marais, esse por último, seu ator favorito, por quem seus olhos brilhavam.

    Jean Cocteau e Jean Marais /evolua.vc
    Jean Cocteau e Jean Marais /foto Cecil Beaton, 1930 /evolua.vc

    Ao longo de sua vida Cocteau, produziu filmes, colaborou com narrativas em inúmeros projetos. Todos reconhecidos e ricos em simbolismo e imagens surreais. Considerado um dos mais notáveis cineastas de todos os tempos. Suas frases remetem a profunda reflexão e grandes descobertas.

    Seria lógico suportar melhor as dores quando se é jovem, já que se tem diante de si o tempo e a esperança de se curar.

    Jean Cocteau

    Suas peças percorriam os palcos dos grandes teatros parisienses, nesses dedicou tempo, esforço e ideias que ajudaram a definir e criar o cenário artístico da época. Seu estilo nada convencional alinhada a uma enorme capacidade de organização e produtividade lhe renderam fama internacional.

    Avesso à fama e glamour, ousou em seu tempo, se ocupando em documentar um depoimento direcionado ao futuro, gravado no ano de 1962, Cocteau fala para os anos 2000.

    São personagens como Jean Cocteau, vislumbradores de possibilidades, que compõem nossa visão de mundo, facilitadores em busca de uma evolução menos dolorosa.

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  • Partiu intercâmbio

    Partiu intercâmbio

    Buscar novos horizontes desde muito cedo estão impressos na minha vida. Mas minha última experiência em sair da zona de conforto me trouxe a nove mil quilômetros de casa.

    Tudo começou em setembro de 2019

    Acordei inquieta, me olhei no espelho e decidi que era o momento de mudar minha vida da água pro vinho. Partiu intercâmbio, foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça. Mudar de país sempre esteve nos meus planos, isso já havia passado inúmeras vezes pela minha cabeça, mas nunca achei ser possível.

    Receio, insegurança, condição financeira, tudo isso martelava frequentemente sempre que imaginava a possibilidade dessa mudança. Mas dessa vez foi diferente, senti brotar uma força interna que não havia vivido até então.

    Não falei sobre com ninguém.

    Estudei as possibilidade, fiz contas, contei e recontei cada centavo. Fiz um verdadeiro check list de passos necessários para atingir meu objetivo. Corri para resolver o que era necessário, pesquisei, conversei com inúmeras pessoas.

    Me preparei psicologicamente.

    Abracei aqueles que amo, viajei muito sozinha e com minha família, fiz uma cirurgia, terminei todos os meu projetos pendentes e no dia 31 de janeiro desse ano, partiu intercâmbio e lá estava eu atravessando o Atlântico!

    31 de janeiro desse ano /evolua.vc
    foto arquivo pessoal

    Foram 15 horas de viagem.

    Quando acordei e vi lá de cima a Piccadilly Circus, uma rua em Londres famosa por seus telões gigantes, conhecida mundialmente como a “Times Square Europeia”, foi aí que pela primeira vez na vida eu senti:

    Cheguei até aqui, o sonho se torna realidade.

    Agora sou eu por eu mesma.

    Carmyn em Londres /evolua.vc
    Westminster Cathedral – Londres /foto facebook

    E desde então tem sido um dia após o outro de desafios a serem superados. Na verdade minha vida inteira passou por mudanças, hábitos, escolhas, amizades e até o cabelo resolvi mudar!

    Confesso que em determinados momentos bate um certo desespero, sozinha em um lugar completamente diferente. Quando essa sensação chega, procuro olhar para trás e relembrar toda a trajetória que me trouxe até aqui, reflito, agradeço e continuo acreditando no meu objetivo, sem pressa.

    31 de janeiro desse ano /evolua.vc
    /foto facebook

    Porque não importa o tamanho da mudança, seja uma mudança de país ou de hábito, se aconteceu, ela já está nos transformando em uma versão melhorada de nós mesmos. Que até então era impossível.

    É surpreendente.

    É sobre todo esse desconforto que mudanças geram que irei conversar por aqui. O que eu estou fazendo e como estou passando por uma pandemia do outro lado do mundo que contarei numa próxima!

    E ai, partiu intercâmbio? Embarque comigo nessa jornada.

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  • Gravidez – Qual sua definição de milagre?

    Gravidez – Qual sua definição de milagre?

    Pode parecer clichê, que recebida em hora errada causa até certa revolta em quem ainda não compreendeu o real sentido e as dificuldades que passamos durante a vida e principalmente na gravidez, entendo tudo isso como amadurecimento.

    Há pouco tempo ainda era uma pessoa, imediatista e impulsiva. Muito focada. Acreditava que parar para dar atenção aos meus sonhos era perda de tempo. Até que a vida me ensinou a parar a força.

    Dentro do “emprego dos sonhos”, me esforçava a ponto de esgotar todas as minhas energias para desempenhar muito mais do que as funções que correspondiam ao meu cargo, atendendo assim às exigências de um gestor machista e ambicioso, que colocava suas metas acima de qualquer valor.

    Dentro desse ciclo de renovação, desgaste físico e psicológico, tive ao meu lado um parceiro com quem compartilho um relacionamento estável e feliz. Esse último detalhe vem fazendo total diferença na minha vida.

    Rafael e Ludymila Kage /evolua.vc
    Rafael e Ludymila Kage /foto facebook

    Se para cada vez mais mulheres ser independente emocionalmente é mantra. Para minha vida contar com um parceiro ao lado, que apoie e de suporte nessa caminhada tem sido um aprendizado gratificante e complementar.

    Em meio a toda essa rotina, tive minha primeira gravidez.

    Comemorei a notícia, brindei a nova fase que se iniciava e a vida que pela primeira vez começava a brotar em mim. Mal tive tempo de curtir esse momento, quando me deparei com um dos primeiros choque de realidade, me acabei em lágrimas.

    Chorei a perda dias depois. Parei pela primeira vez.

    Me falta palavra para descrever a dor de perder um filho e não importa o tempo em que ele esteve comigo. Dói com uma intensidade absurdamente letal, apenas sendo mãe para entender.

    Vi escoar minha alegria e sonhos. Desabei em lágrimas.

    Poucos dias depois.

    Apavorada pela cobrança, pelos julgamentos e medo de perder ainda mais. Refém dessa realidade, retomei minhas atividades com um desejo absurdo de fazer o máximo possível para ocupar meus pensamentos.

    Deixei a dor de lado, mesmo isso custando um esforço surreal.

    Meses depois, uma notícia me fez brilhar novamente. Engravidei pela segunda vez. Uma mistura de euforia e incertezas se apossou do meu corpo e alma.

    A insegurança da gravidez anterior ainda era fresca e dolorosa em minhas lembranças. Mergulhada em pressão e obrigações que havia assumido, vi aquele mesmo capítulo anterior ser reprisado em minha vida.

    Por momentos pensei, é um castigo?

    Duvidei da minha capacidade. Assisti uma angústia travestida de esperança acompanhando diariamente os batimentos cardíacos daquele pequeno que crescia em meu ventre, diminuir dia após dia.

    Até pararem de vez.

    Precisamos tirá-lo, disse o médico.

    Uma angustia sufocante.

    Mesmo tendo ciência da pequena chance de ter uma gestação segura, me recusava entender o porquê de tamanha desilusão seguida. Por inúmeras vezes pensei que não seria capaz de suportar tamanha dor.

    E não suportei. Parei pela segunda vez.

    Julgamentos, cobranças e a dor que dilacerava, me fez acreditar que não poderia viver o luto. Era preciso tocar a vida, ser fraca não me soava familiar.

    E tentei.

    Mas aceitar que parar era a decisão mais correta a se fazer, mesmo todos dizendo o contrário. Esse desejo GRITOU dentro de mim. Longe de tudo que me fazia mal, busquei auto conhecimento.

    Encontrei respostas para muitas incertezas.

    Relações tóxicas adoecem alma e corpo.

    Foi uma fase longa e dolorosa, um período difícil de aceitar, inúmeras terapias, fé e tempo! Quando aprendemos a nos conhecer melhor, começamos a encontrar respostas para a vida, internamente.

    Precisamos falar sobre terapia /evolua.vc

    Leia essa conversa aqui.

    Agora te pergunto, qual sua definição de milagre?

    O tempo passou e quando menos imaginei, sem planejamento prévio.

    Engravidei pela terceira vez.

    No instante da descoberta fui invadida por uma alegria, seguida de medo e incertezas. Uma terceira perda não seria algo simples de ser digerido psicologicamente.

    O medo foi presente.

    Mas com informação, cuidado, paciência e valorizando a saúde mental e do corpo, dei a luz a gêmeas. Consideradas pela equipe médica, um milagre. Momento indescritível, em simples palavras, uma mistura de entusiasmo, gratidão que superabunda, se torna IMENSAMENTE MAIOR que eu.

    Mãe de gêmeas /evolua.vc
    Mãe de gêmeas Ludymila Kage /foto facebook

    Quando menos esperava, tive meus dois anjinhos comigo novamente. Frutos de uma gravidez inesperada e gemelar. Gêmeas idênticas. Quando todos diziam o contrário, o impossível se transcendeu em possível, tão rápido e transformador que posso afirmar com segurança, graças a essas experiências e a tudo que vivi, hoje sou uma pessoa melhor.

    São conversas sobre o milagre de ser mãe de gêmeas que falarei por aqui. Se esse for seu proposito, puxa uma cadeira, sirva-se um vinho e vem comigo. Aproveito para te convidar a conhecer meu projeto pessoal no youtube.

    Aprenda a ouvir a voz do coração.

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  • Precisamos falar sobre terapia

    Precisamos falar sobre terapia

    Você ir lá, descarregar seus problemas nos ombros de um desconhecido por uma hora e ir embora. Conversa com um amigo, pô! Nunca entendi a eficácia quando era mais jovem, mas agora começo a entender a importância de se falar sobre terapia.

    Me lembro de ir a uma sessão em família quando era muito jovem, pré-adolescente. Era para ajudar a minha irmã que sofria de distúrbio bipolar. Entrei no consultório com meus pais, minha irmã e a terapeuta.

    Até hoje não lembro o que foi dito, mas devo ter ficado lá por cinco minutos quando foi me perguntada a primeira coisa. Eu disparei a chorar copiosamente e nunca mais voltei. Disse que não era para mim. Não conseguia. Talvez isso fosse um sinal de que algo mais sério estava dentro de mim, sei lá.

    Continuei vivendo minha vida, vendo meus amigos tratando de suas cabeças dentro de um consultório e sempre achava uma baboseira sem fim. Se você tem alguém em quem confia para colocar para fora as suas angústias, porque pagar por isso? Mas, cada um com seu cada qual, se você é feliz assim, ok por mim.

    Uma vez, perguntei para minha irmã, quase formada em Psicologia naquela época, como funcionava uma sessão de terapia. Primeiro de tudo, ela disse que essa conversa não faria sentido porque ela não poderia me tratar. Coisa de relações muito próximas, sabe? Tem que ser um desconhecido mesmo para te ajudar, sem julgamentos. Mas eu não estava satisfeita, queria entender mais.

    Eu e minha irmã <3

    Contei algumas questões que estava enfrentando no momento e ela me ouviu pacientemente sem dar um pio.

    Quando eu terminei, ela falou:

    “Mas o que você acha?”

    Pronto! Minha teoria estava comprovado.

    Se estou na frente da terapeuta e ela olha para mim com aquela cara blasé perguntando o que eu acho, qual é o sentido de estar lá? Posso pensar em casa sozinha, tomando meu chá, olhando para o lado de fora da janela em um dia melancólico e chuvoso, né não?

    Não. Não é não.

    Aprendi da maneira mais dura que se pode imaginar que a nossa saúde mental é coisa séria.

    Primeiro, minha irmã decidiu ir embora desse mundo e tempos depois eu me vi perdida em uma terra tão, tão distante onde vivo agora. Me descobri com depressão. Uma coisa que você não quer chamar de doença porque talvez seja só tristeza, melancolia.

    Muitas vezes mal ou não diagnosticada simplesmente por ser considerada um tabu na sociedade. Ainda nem tenho certeza do diagnóstico. Porém, estima-se que mais de 300 milhões sofram com o transtorno no mundo, 11,5 milhões no Brasil, com 800 mil mortes por suicídio a cada ano.

    Não quero tornar esse texto melancólico e pesado mas trazer luz para um problema que está nos cercando e que precisa ser falado.

    Você nunca está sozinho!

    Não importa os desafios que você já enfrentou, está vivendo agora ou vai encarar mais para frente. Sempre tem alguém bem do seu lado que pode estar vivendo algo muito parecido. Mas a verdade é que quando você está extremamente triste, não vê sentido mais na vida, tem pensamentos suicidas, não consegue tirar essa dor de não se sentir importante de dentro de você, a sensação é de completo desentendimento com o mundo a sua volta e abandono.

    Você acha que ninguém te entende e muitas vezes, as pessoas não entendem mesmo porque isso não é falado, aquela coisa de colocar para debaixo do tapete a sujeira que você não quer limpar agora. Mas essa poeira vai estar sempre lá e a gente tem que dar um jeito de se livrar dela. Aí que a terapia entra. Na sua parte mais suja que você procrastina em limpar.

    A gente não tem tempo de sentar na janela com o chá quente e pensar nas nossas questões. É uma visão muito romântica e ingênua. E, por outro lado, falar em voz alta é muito importante. Perdi a conta de quantas vezes disse uma coisa em voz alta e fiquei remoendo sobre aquilo por semanas, porque nunca tinha imaginado que eu pensava daquele jeito.

    Como tudo na vida, a gente precisa se forçar a sair da inércia e ficar cara a cara com os problemas. E, acredite, eles não vêm só em forma de boletos. O nosso cérebro é tão complexo que vamos viver a vida toda sem entender tudo o que passa ali dentro. Mas tudo bem também.

    Estar confortável com o desconforto também faz parte da vida.

    O que mais importa é se permitir olhar para dentro de si e analisar suas próprias angústias, medos, dores e até alegrias. O consultório não precisa ser um muro de lamentações, mas um lugar de autoconhecimento que a gente esquece de olhar, vai deixando de lado.

    Eu fiz isso desde aquela primeira sessão para ajudar a minha irmã no processo dela de tentar se desvendar. Hoje, já com acompanhamento de uma terapeuta, sei que nada sei. E tudo bem também.

    Desconfio das pessoas que têm certeza do que elas são. Eu mudo constantemente e tenho sido gentil comigo mesma vendo que sou uma coisa em construção. Sempre. Longe da perfeição, mas sempre buscando respostas para os meus próprios questionamentos.

    E vida que segue!

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