Inicio dizendo que indícios sempre existiram, minha reinvenção durante a pandemia só não aconteceu antes por falta de maturidade para interpretar meu próprio comportamento, entender meu inconsciente e enxergar os motivos reais por trás daquela inquietude.
Tive meu primeiro emprego aos 14 anos. Eu já perdi a conta de quantos lugares já trabalhei, para quantas empresas prestei serviço, quantos bicos que depois da faculdade aprendi que se chamava “freelas”.

Tanta diversidade no currículo me gerou muita frustração, das inúmeras oportunidades que tive apenas duas duraram mais de 1 ano. Por conta disso coleciono frases como:
Ninguém trabalha porque gosta, tem que trabalhar e ponto
Pare de mudar de ideia a todo momento
É preciso aprender a engolir sapos
Você precisa aguentar mais
Tenha mais paciência
Verdadeiros mantras de autossabotagem, que minha reinvenção durante a pandemia me fez sacar esses gatilhos.
A cada oportunidade que surgia, sentia uma sensação que gritava do peito: “DESSA VEZ VAIII”, criando uma empolgação interna que ao longo dos meses e da rotina ia se apagando dia após dia e tudo se resumia naquela sensação de “tô empurrando a vida com a barriga”.

Mas um detalhe quero destacar, nunca fui demitida. Todas as vezes que me sentia angustiada num trabalho, me demitia e tentava “recomeçar”, seja em um novo emprego, área, função ou cidade.
Frustrações à parte, resolvi buscar uma reinvenção durante a pandemia, refletir melhor e tentar entender o real motivo dessas situações repetidas vezes, foi a partir daí que comecei a me entender e enxergar uma luz em meio a tanta escuridão.
Afinal, qual era o meu problema?
Entender meus valores, princípios, crenças, medos, anseios e bloqueios era o primeiro passo a ser dado para essa caminhada. Estudei muito, tive novas experiências profissionais e busquei aprender um pouco mais de cada área que atuei.

Só no ano passado, 2019, que decidi começar a trabalhar como autônoma e mesmo assim, lá no fundo sentia uma angústia interna e não entendia o real motivo.
A situação era completamente diferente das outras que havia vivido, estava trabalhando com o que gostava, no meu tempo e não me sentia completa.
Aceitava todos os tipos de trabalhos, fazia força para tirar do papel projetos pessoais antes deixados pela metade, participei de entrevistas de emprego e processos seletivos para tentar fazer a conta fechar ao final de cada mês.
Na verdade era uma verdadeira corrida contra o tempo e não me dava conta disso. Até que chegou 2020, junto com o novo ano recebemos de bônus a pandemia e o isolamento social, ingredientes suficientes para atingir ao ápice da minha TAG (transtorno de ansiedade generalizada), foi quando vivi meu pico de desespero.

Foi nesse momento que decidi buscar ajuda e começar uma terapia. Algumas sessões depois foi que entendi que minha reinvenção durante a pandemia era mais que necessária.
A partir desse instante comecei a entender que não me encaixava nos padrões já predeterminados e não havia nada de errado com isso.
Entendi que vender meu tempo e não meu talento era sim uma opção. Que não recusar trabalho e colocar metas com o único objetivo de fechar a conta ao final do mês era o que mais me esgotava psicologicamente.
Ao perceber esse detalhe, tudo ficou mais claro
O caminho para a realização profissional estava na minha frente e era completamente oposto ao que sempre me contaram. Foi nesse momento que reunir energias e comecei a construir novas possibilidades.

Ignorar padrões pré determinados e usar meu instinto para me completar como pessoa era sim uma opção e nesse momento minha prioridade.
Minha reinvenção durante a pandemia esclareceu que nesse processo não cabe atender as expectativas de ninguém, somente as que me importa.
Foi então que dei início a mais um ciclo em minha vida, com tempo suficiente para fazer o que amo.
Me aceitando mais, entendendo que tenho limites e pontos a serem melhorados, confesso que nunca me senti tão aliviada. Descobri que nesse caminho
Sou capaz de atingir meus objetivos
todos os dias. Sem culpa, pois só agora consegui entender que ser assim não é um problema.
É minha melhor solução. Vem comigo nessa redescoberta?
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