Pode parecer clichê, que recebida em hora errada causa até certa revolta em quem ainda não compreendeu o real sentido e as dificuldades que passamos durante a vida e principalmente na gravidez, entendo tudo isso como amadurecimento.
Há pouco tempo ainda era uma pessoa, imediatista e impulsiva. Muito focada. Acreditava que parar para dar atenção aos meus sonhos era perda de tempo. Até que a vida me ensinou a parar a força.
Dentro do “emprego dos sonhos”, me esforçava a ponto de esgotar todas as minhas energias para desempenhar muito mais do que as funções que correspondiam ao meu cargo, atendendo assim às exigências de um gestor machista e ambicioso, que colocava suas metas acima de qualquer valor.
Dentro desse ciclo de renovação, desgaste físico e psicológico, tive ao meu lado um parceiro com quem compartilho um relacionamento estável e feliz. Esse último detalhe vem fazendo total diferença na minha vida.

Se para cada vez mais mulheres ser independente emocionalmente é mantra. Para minha vida contar com um parceiro ao lado, que apoie e de suporte nessa caminhada tem sido um aprendizado gratificante e complementar.
Em meio a toda essa rotina, tive minha primeira gravidez.
Comemorei a notícia, brindei a nova fase que se iniciava e a vida que pela primeira vez começava a brotar em mim. Mal tive tempo de curtir esse momento, quando me deparei com um dos primeiros choque de realidade, me acabei em lágrimas.
Chorei a perda dias depois. Parei pela primeira vez.
Me falta palavra para descrever a dor de perder um filho e não importa o tempo em que ele esteve comigo. Dói com uma intensidade absurdamente letal, apenas sendo mãe para entender.
Vi escoar minha alegria e sonhos. Desabei em lágrimas.
Poucos dias depois.
Apavorada pela cobrança, pelos julgamentos e medo de perder ainda mais. Refém dessa realidade, retomei minhas atividades com um desejo absurdo de fazer o máximo possível para ocupar meus pensamentos.
Deixei a dor de lado, mesmo isso custando um esforço surreal.
Meses depois, uma notícia me fez brilhar novamente. Engravidei pela segunda vez. Uma mistura de euforia e incertezas se apossou do meu corpo e alma.
A insegurança da gravidez anterior ainda era fresca e dolorosa em minhas lembranças. Mergulhada em pressão e obrigações que havia assumido, vi aquele mesmo capítulo anterior ser reprisado em minha vida.
Por momentos pensei, é um castigo?
Duvidei da minha capacidade. Assisti uma angústia travestida de esperança acompanhando diariamente os batimentos cardíacos daquele pequeno que crescia em meu ventre, diminuir dia após dia.
Até pararem de vez.
Precisamos tirá-lo, disse o médico.
Uma angustia sufocante.
Mesmo tendo ciência da pequena chance de ter uma gestação segura, me recusava entender o porquê de tamanha desilusão seguida. Por inúmeras vezes pensei que não seria capaz de suportar tamanha dor.
E não suportei. Parei pela segunda vez.
Julgamentos, cobranças e a dor que dilacerava, me fez acreditar que não poderia viver o luto. Era preciso tocar a vida, ser fraca não me soava familiar.
E tentei.
Mas aceitar que parar era a decisão mais correta a se fazer, mesmo todos dizendo o contrário. Esse desejo GRITOU dentro de mim. Longe de tudo que me fazia mal, busquei auto conhecimento.
Encontrei respostas para muitas incertezas.
Relações tóxicas adoecem alma e corpo.
Foi uma fase longa e dolorosa, um período difícil de aceitar, inúmeras terapias, fé e tempo! Quando aprendemos a nos conhecer melhor, começamos a encontrar respostas para a vida, internamente.

Leia essa conversa aqui.
Agora te pergunto, qual sua definição de milagre?
O tempo passou e quando menos imaginei, sem planejamento prévio.
Engravidei pela terceira vez.
No instante da descoberta fui invadida por uma alegria, seguida de medo e incertezas. Uma terceira perda não seria algo simples de ser digerido psicologicamente.
O medo foi presente.
Mas com informação, cuidado, paciência e valorizando a saúde mental e do corpo, dei a luz a gêmeas. Consideradas pela equipe médica, um milagre. Momento indescritível, em simples palavras, uma mistura de entusiasmo, gratidão que superabunda, se torna IMENSAMENTE MAIOR que eu.

Quando menos esperava, tive meus dois anjinhos comigo novamente. Frutos de uma gravidez inesperada e gemelar. Gêmeas idênticas. Quando todos diziam o contrário, o impossível se transcendeu em possível, tão rápido e transformador que posso afirmar com segurança, graças a essas experiências e a tudo que vivi, hoje sou uma pessoa melhor.
São conversas sobre o milagre de ser mãe de gêmeas que falarei por aqui. Se esse for seu proposito, puxa uma cadeira, sirva-se um vinho e vem comigo. Aproveito para te convidar a conhecer meu projeto pessoal no youtube.
Aprenda a ouvir a voz do coração.
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