Autor: Gabi Freitas

  • Aprenda a dizer NÃO – O poder das decisões

    Aprenda a dizer NÃO – O poder das decisões

    Os primeiros passos para começar a entender o poder das decisões começa com ações simples como acordar, abrir os olhos, desligar o despertador.

    Levantar e analisar se está com fome ou não.

    Decidido pelo café da manhã, é hora de resolver o que comer.

    Em seguida vem as dúvidas sobre roupa, cabelo. Qual meia fica melhor com aquele sapato?

    Tá tudo meio combinando ou tá uma zona?

    Vai assim mesmo ou escolhe outra?

    Tá frio, uma decisão. Calor? Outra.

    Se inicia aí as pequenas decisões do dia a dia que fazemos no automático, sem nem se dar conta. Mas será que dá para transformar as grandes decisões em algo natural, sem sofrimento? Aquelas escolhas que podem mudar a nossa vida para sempre?

    Partiu intercambio /evolua.vc

    Talvez, se focarmos no que realmente importa.

    É aqui que começa o poder das decisões. Li o livro Essencialismo do Greg Mckeown, achei bem interessante o conceito de “cortar a sobra”, aquilo que achamos dever acumular ao longo da vida mas, na verdade, não precisamos mais.

    Vai muito além de coisas materiais

    Saber dizer não para aquilo que em nada acrescentará à vida é muito importante. Você pode achar que consegue dar conta de tudo, mas a verdade é que não é possível abraçar o mundo.

    Decisão acertada é trocar uma coisa por outra e não tentar resolver tudo de uma vez só. Ao invés de se perguntar como fazer para tudo acontecer, o melhor caminho para quem pensa no essencial é responder a uma diferente pergunta:

    Qual problema resolverei primeiro?

    Tem a ver com prioridade e a própria palavra define:

    condição do que é primeiro em tempo, ordem, dignidade

    A palavra prioridade só ganhou versão plural no século XVIII. Até então era uma só. Agora, a gente vive com uma lista imensa e para cada tópico uma decisão deve ser tomada até se sentir tão atolado que não consegue nem sair do lugar porque tudo parece importante.

    Maturidade /evolua.vc

    Porém, quanto maior o número de escolhas que somos forçados a fazer, pior é a qualidade de cada uma delas. A verdade é que a maioria das coisas que achamos importantíssimas não passam de barulho para nos distrair do que realmente importa.

    Mas ainda me pergunto como diferenciar o que é fundamental do não-essencial. Uma dica do livro que julguei pertinente é se fazer três perguntas quando se deparar com essa lista sem fim de prioridades:

    1.

    O que me inspira profundamente?

    2.

    Em que eu sou particularmente talentoso?

    3.

    O que vai de encontro a uma necessidade existente no mundo?

    Respondida as 3 questões acima é hora do próximo passo,

    Dizer NÃO!

    E isso envolve TUDO que esteja fora de contexto, sem culpa, sabendo que está escolhendo o que realmente faz sentido para você.

    Se ainda assim ficar na dúvida, sobra um derradeiro questionamento. Se a resposta para “devo fazer isso?” não é “claro que sim”, a resposta é não.

    Faz todo o sentido para mim. Não estar completamente certo de uma escolha, sem certeza, ignorando sua voz interior esfrega o não com todas as letras e til na sua cara.

    Reflexão sobre pansexualidade /evolua.vc

    Sei que situações tem inúmeras variáveis, mas também acredito que pensar demais faz a gente enlouquecer. Então, simplificar a tomada de decisão com apenas duas objetivas respostas (claro que sim ou não) pode aliviar muita dor de cabeça futura.

    Estou bem longe de viver uma vida essencialista. Ainda acumulo muitas coisas desnecessárias e decisões desimportantes.

    Não preciso de todas as canetas que tenho no potinho na minha mesa, mas já não vejo sentido em acumular um monte de roupa inutilmente.

    Focar no que é essencial traz paz

    É um processo que requer esforço diário para conquistar a efetiva mudança. Possível se realmente estiver disposto a fazer diferentes escolhas para atingir resultados distintos.

    Metade dos problemas da vida decorrem em dizer sim depressa demais e não dizer não cedo o bastante

    John Billings

    Para mim, o desafio está em descobrir quando é ‘depressa demais’ e ‘cedo o bastante’ e o seu, qual é? Comenta abaixo.

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  • Precisamos falar sobre terapia

    Precisamos falar sobre terapia

    Você ir lá, descarregar seus problemas nos ombros de um desconhecido por uma hora e ir embora. Conversa com um amigo, pô! Nunca entendi a eficácia quando era mais jovem, mas agora começo a entender a importância de se falar sobre terapia.

    Me lembro de ir a uma sessão em família quando era muito jovem, pré-adolescente. Era para ajudar a minha irmã que sofria de distúrbio bipolar. Entrei no consultório com meus pais, minha irmã e a terapeuta.

    Até hoje não lembro o que foi dito, mas devo ter ficado lá por cinco minutos quando foi me perguntada a primeira coisa. Eu disparei a chorar copiosamente e nunca mais voltei. Disse que não era para mim. Não conseguia. Talvez isso fosse um sinal de que algo mais sério estava dentro de mim, sei lá.

    Continuei vivendo minha vida, vendo meus amigos tratando de suas cabeças dentro de um consultório e sempre achava uma baboseira sem fim. Se você tem alguém em quem confia para colocar para fora as suas angústias, porque pagar por isso? Mas, cada um com seu cada qual, se você é feliz assim, ok por mim.

    Uma vez, perguntei para minha irmã, quase formada em Psicologia naquela época, como funcionava uma sessão de terapia. Primeiro de tudo, ela disse que essa conversa não faria sentido porque ela não poderia me tratar. Coisa de relações muito próximas, sabe? Tem que ser um desconhecido mesmo para te ajudar, sem julgamentos. Mas eu não estava satisfeita, queria entender mais.

    Eu e minha irmã <3

    Contei algumas questões que estava enfrentando no momento e ela me ouviu pacientemente sem dar um pio.

    Quando eu terminei, ela falou:

    “Mas o que você acha?”

    Pronto! Minha teoria estava comprovado.

    Se estou na frente da terapeuta e ela olha para mim com aquela cara blasé perguntando o que eu acho, qual é o sentido de estar lá? Posso pensar em casa sozinha, tomando meu chá, olhando para o lado de fora da janela em um dia melancólico e chuvoso, né não?

    Não. Não é não.

    Aprendi da maneira mais dura que se pode imaginar que a nossa saúde mental é coisa séria.

    Primeiro, minha irmã decidiu ir embora desse mundo e tempos depois eu me vi perdida em uma terra tão, tão distante onde vivo agora. Me descobri com depressão. Uma coisa que você não quer chamar de doença porque talvez seja só tristeza, melancolia.

    Muitas vezes mal ou não diagnosticada simplesmente por ser considerada um tabu na sociedade. Ainda nem tenho certeza do diagnóstico. Porém, estima-se que mais de 300 milhões sofram com o transtorno no mundo, 11,5 milhões no Brasil, com 800 mil mortes por suicídio a cada ano.

    Não quero tornar esse texto melancólico e pesado mas trazer luz para um problema que está nos cercando e que precisa ser falado.

    Você nunca está sozinho!

    Não importa os desafios que você já enfrentou, está vivendo agora ou vai encarar mais para frente. Sempre tem alguém bem do seu lado que pode estar vivendo algo muito parecido. Mas a verdade é que quando você está extremamente triste, não vê sentido mais na vida, tem pensamentos suicidas, não consegue tirar essa dor de não se sentir importante de dentro de você, a sensação é de completo desentendimento com o mundo a sua volta e abandono.

    Você acha que ninguém te entende e muitas vezes, as pessoas não entendem mesmo porque isso não é falado, aquela coisa de colocar para debaixo do tapete a sujeira que você não quer limpar agora. Mas essa poeira vai estar sempre lá e a gente tem que dar um jeito de se livrar dela. Aí que a terapia entra. Na sua parte mais suja que você procrastina em limpar.

    A gente não tem tempo de sentar na janela com o chá quente e pensar nas nossas questões. É uma visão muito romântica e ingênua. E, por outro lado, falar em voz alta é muito importante. Perdi a conta de quantas vezes disse uma coisa em voz alta e fiquei remoendo sobre aquilo por semanas, porque nunca tinha imaginado que eu pensava daquele jeito.

    Como tudo na vida, a gente precisa se forçar a sair da inércia e ficar cara a cara com os problemas. E, acredite, eles não vêm só em forma de boletos. O nosso cérebro é tão complexo que vamos viver a vida toda sem entender tudo o que passa ali dentro. Mas tudo bem também.

    Estar confortável com o desconforto também faz parte da vida.

    O que mais importa é se permitir olhar para dentro de si e analisar suas próprias angústias, medos, dores e até alegrias. O consultório não precisa ser um muro de lamentações, mas um lugar de autoconhecimento que a gente esquece de olhar, vai deixando de lado.

    Eu fiz isso desde aquela primeira sessão para ajudar a minha irmã no processo dela de tentar se desvendar. Hoje, já com acompanhamento de uma terapeuta, sei que nada sei. E tudo bem também.

    Desconfio das pessoas que têm certeza do que elas são. Eu mudo constantemente e tenho sido gentil comigo mesma vendo que sou uma coisa em construção. Sempre. Longe da perfeição, mas sempre buscando respostas para os meus próprios questionamentos.

    E vida que segue!

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